- Adaptação em graphic novel por Carlos Ferreira
– Traduzido por Fausto Wolff

"Branca de Neve" por Carlos Ferreira

"Branca de Neve" por Carlos Ferreira


Todos nós já conhecemos a madrasta e o espelho mágico, a jovem princesa e os setes anões. O que não sabemos é como a vaidade e o egoísmo condenam Branca de Neve muito mais do que a inocência; como o desejo embriaga o príncipe nada encantado e como os sete anões não eram tão bonzinhos assim. Esta versão de Branca de Neve vai revelar que esse conto nada mais é do que a disputa entre duas mulheres pelo título de mais bela e pela vingança mais cruel.

Os quadros deste volume são obra de Carlos Ferreira, um desenhista e roteirista gaúcho com mais de 20 anos de profissão. Ele chama suas HQs de quadrinho de autor, pois participa de todo o processo de criação: as escreve, desenha e edita. Já adaptou o livro Os sertões e o conto de João e Maria para o mundo dos quadrinhos e é considerado um dos melhores do ramo.

A tradução é de Fausto Wolff, jornalista, articulista e crítico de teatro, além de autor de contos, romances e poesias. Sua fluência em alemão e seu conhecimento acerca do trabalho dos irmãos Grimm lhe permitiram captar a essência do texto dos filólogos, preservando as versões mais cruas de seus contos de que se tem notícia.

Posfácio didático

Os contos de fadas têm sua origem na Idade Média, sendo repletos de violência e crueldade, já que, além de servirem como entretenimento para as classes mais baixas, também tinham o intuito de educar as crianças para os fatos da vida – como a morte, o crescimento e até mesmo o desejo. Eles eram um contraponto às narrativas religiosas, geralmente monótonas e com final decepcionante, e traziam para a gente simples a ideia de que no final o bem sempre é capaz de vencer o mal.

Contudo, com o passar do tempo, tais histórias foram sendo esquecidas, já que se fundamentavam na tradição oral de um povo analfabeto e humilde. Outros contos foram aos poucos “adocicados”, pois os pais acreditavam que deveriam proteger seus filhos dos conteúdos mais “grosseiros” das histórias. O que é lamentável, pois se perderam, com isso, os elementos que contribuíam para o amadurecimento da criança, que faziam com que ela entendesse os seus conflitos e fases.

É por isso que a preservação e a divulgação do trabalho dos irmãos Grimm têm tamanha importância. Os irmãos linguístas Jacob Wilhelm e Wilhelm Karl, entre os anos de 1812 e 1822, coletaram os contos e lendas proferidos pelo povo de fala alemã, registrando todas as suas variações e dando origem a uma coletânea de mais de duzentos contos – a origem também da ciência do folclore.

O conto popularizado como Branca de Neve e os Sete Anões, por exemplo, é um dos mais antigos e possui versões em praticamente todos os idiomas. Sua popularidade rendeu-lhe ainda uma adaptação cinematográfica pelos estúdios Walt Disney, na qual o caráter vingativo da protagonista e a maldade de sua madrasta são amenizados. Além do enfoque no amor romântico, que apresenta o amor de um belo príncipe como capaz de reverter qualquer situação e fazer valer a justiça à pobre e indefesa princesa.

Na sua origem, entretanto, a história possui características francamente edípicas, já que se centra no conflito entre a menina e a mãe (ou a madrasta) pelas atenções do pai. Nele, a princesa precisa se refugiar do olhar da rival na casa dos sete anões e depois no caixão de cristal, até crescer e adquirir a força e a beleza necessárias para derrotar a madrasta envelhecida e ocupar o seu lugar de direito no castelo. Isso somente após punir a opositora com requintes de crueldade dignos de uma vilã.

Por Luana Luz

- Traduzido por Fausto Wolff.

- Adaptação em graphic novel por Carlos Ferreira.

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